Foto por Mauricio Dueñas - 16.jun.2009/EfeUribe nunca falou abertamente que seria candidato a um terceiro mandato, mas ninguém duvidava de suas ambições, frustradas agora pela Justiça
A Suprema Corte da Colômbia frustrou os planos de um terceiro mandado do presidente Álvaro Uribe. No início da noite desta sexta-feira (26), os ministros rejeitaram a convocação de um referendo para mudar a Constituição do país e abrir a possibilidade de uma segunda reeleição do atual chefe de Estado. Caso a Justiça tivesse liberado a votação, pesquisas de opinião davam como certa a vitória do sim para a mudança constitucional. As mesmas pesquisas também mostravam que, uma vez podendo ser candidato, Uribe seria imbatível e continuaria no poder. Por sete votos a dois, os ministros da Suprema Corte derrubaram uma decisão do Congresso que, no último ano, havia aprovado o referendo. A votação serviria para consultar os colombianos se estes estariam ou não de acordo com a mudança constitucional para permitir uma segunda reeleição do presidente. Atualmente, a legislação local permite apenas dois mandatos presidenciais. Como Uribe já está em seu segundo governo, não pode se candidatar novamente. A não ser que a Constituição tivesse sido mudada.
Uribe tem grande apoio popular
Uribe foi eleito presidente pela primeira vez em 2002. De tendência conservadora, ele conseguiu grande apoio popular ao combater com força os rebeldes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). A guerrilha de extrema-esquerda, que há décadas aterroriza a Colômbia com ataques e sequestros, sofreu duros golpes durante o seu governo.
Em 2006 Uribe foi reeleito. Com grande apoio dos Estados Unidos, o presidente modernizou as Forças Armadas e deixou o país mais atraente para investimento estrangeiros.
Embora nunca tenha falado abertamente sobre seus planos para conseguir uma segunda reeleição, todos na Colômbia sabem das aspirações presidenciais. Tanto que foram os seu aliados os que costuraram o projeto para reformar a legislação e abrir o caminho para um terceiro mandato para ele. Mas, com a decisão judicial desta sexta, os "uribistas" já não terão tempo hábil para um plano B, uma vez que as eleições ocorrem em maio e os candidatos têm de se inscrever ao pleito até o próximo 12 de março. Com Uribe fora da corrida presidencial, ganham força no páreo o Ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, aliado do presidente, e o candidato independente Sérgio Fajardo, ex-prefeito de Medellín.
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